{"id":2921,"date":"2019-01-24T18:23:38","date_gmt":"2019-01-24T17:23:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aeirmaospassos.pt\/?p=2921"},"modified":"2019-01-24T18:29:39","modified_gmt":"2019-01-24T17:29:39","slug":"reinventaram-a-forma-de-estarem-juntos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aeirmaospassos.pt\/?p=2921","title":{"rendered":"&#8220;reinventaram a forma de estarem juntos&#8221;"},"content":{"rendered":"<div class=\"xlarge-100 large-100 medium-100 small-100 tiny-100 half-bottom-space\">\n<h1><span style=\"color: #000000;\">Proibidos de usar telem\u00f3veis na escola, alunos &#8220;reinventaram a forma de estarem juntos&#8221;<\/span><\/h1>\n<p><span class=\"large fw-500\">Primeiro estranhou-se, depois entranhou-se. H\u00e1 dois anos que os intervalos na escola b\u00e1sica Ant\u00f3nio Alves Amorim, em Santa Maria da Feira, decorrem sem selfies nem &#8220;escapadinhas&#8221; \u00e0 internet. Todos est\u00e3o satisfeitos: dire\u00e7\u00e3o, pais e at\u00e9 alunos.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"all-100 half-bottom-space\">\n<div class=\"overImageCx\">\n<figure class=\"ink-image\"><img decoding=\"async\" class=\"lazyload-item\" src=\"https:\/\/mediaserver2.rr.pt\/newrr\/recreio11194b1e2_base.jpg\" alt=\"\" data-src=\"https:\/\/mediaserver2.rr.pt\/newrr\/recreio11194b1e2_base.jpg\" data-size-default=\"https:\/\/mediaserver2.rr.pt\/newrr\/recreio11194b1e2_base.jpg\" data-layout-src=\"large\" \/><figcaption class=\"small txtGrey\">\u00a0<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"bodyDinamico\" class=\"all-100\">\n<div class=\"slab-400 all-100 selectionShareable\">\n<p>At\u00e9 h\u00e1 dois anos, os problemas disciplinares estiveram a acumular-se. Os alunos filmavam aulas e at\u00e9 se filmavam em contextos de balne\u00e1rio, v\u00eddeos que depois publicavam nas redes sociais. A situa\u00e7\u00e3o chegou a um tal ponto que a diretora da EB 2\/3 Ant\u00f3nio Alves Amorim, sede do agrupamento com o mesmo nome em Santa Maria da Feira, teve de agir.<\/p>\n<p>M\u00f3nica Almeida decidiu levar ao Conselho Pedag\u00f3gico a ideia de proibir o uso de telem\u00f3veis dentro da escola. \u201cNo Conselho Pedag\u00f3gico, [a ideia] foi aceite de forma un\u00e2nime, se bem que todos n\u00f3s est\u00e1vamos um pouco c\u00e9ticos quanto ao sucesso no futuro\u201d, conta \u00e0 <strong>Renascen\u00e7a<\/strong>. Todos foram ouvidos: professores, encarregados de educa\u00e7\u00e3o, junta de freguesia e c\u00e2mara municipal de Santa Maria da Feira. Todos concordaram. E em Setembro de 2017, o projeto arrancou.<\/p>\n<p>Nascidos em 2003, foram os alunos do 9.\u00ba ano os que, h\u00e1 dois anos, mais estranharam a medida. \u201cEles andavam com o telem\u00f3vel em qualquer lado, mesmo na sala de aula\u201d, conta a diretora da escola. E tinham sempre justifica\u00e7\u00f5es (ou desculpas). \u201cOu era para ver as horas ou uma mensagem que chegou&#8230; Eles tinham\u201d &#8211; \u201ctiveram\u201d, corrige M\u00f3nica Almeida &#8211; \u201cessa liberdade desde o 5.\u00ba ano\u201d. Sem que nada o fizesse prever, acabaram por ser \u201cos primeiros a admitir que esta medida foi uma mais-valia&#8221;.<\/p>\n<p>Nem tudo foi pac\u00edfico. Para avan\u00e7ar com a proibi\u00e7\u00e3o, foi elaborado um novo c\u00f3digo de conduta que previa penaliza\u00e7\u00f5es a quem n\u00e3o respeitasse a proibi\u00e7\u00e3o. O castigo previsto foi discutido e determinado com os pais: se os alunos fossem apanhados a usar o telem\u00f3vel, teriam tr\u00eas dias de suspens\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cIsso aconteceu logo no primeiro ano da implementa\u00e7\u00e3o, mas depressa as coisas ganharam o seu rumo\u201d, garante M\u00f3nica Almeida. At\u00e9 que hoje, dois anos volvidos, \u201cos alunos sabem que t\u00eam de cumprir e aceitam perfeitamente\u201d.<\/p>\n<p>Quando chegam \u00e0 escola, os cerca de 600 alunos desta escola de Santa Maria da Feira t\u00eam de colocar os telem\u00f3veis dentro de caixas, que ficam guardadas todo o dia num arm\u00e1rio. Quando as aulas terminam, recuperam os dispositivos.<\/p>\n<p>M\u00f3nica conta que muitos alunos n\u00e3o tinham uma conversa propriamente dita com os colegas antes disto, limitavam-se a ir falando durante o dia. Esta despersonaliza\u00e7\u00e3o e digitaliza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o chocavam a diretora e alimentaram esta ideia. O resultado? Os alunos \u201cpassaram a ter de comunicar verbalmente&#8221; o que, &#8220;para eles, foi uma vantagem\u201d.<\/p>\n<p>O feedback dos alunos \u00e9 positivo. Nas reuni\u00f5es que a dire\u00e7\u00e3o tem periodicamente com os delegados de turma, \u201cuma das situa\u00e7\u00f5es que eles apontam como favor\u00e1vel \u00e9 mesmo esta: o retirar dos telem\u00f3veis\u201d. Um facto curioso: \u201cCome\u00e7ou pelos mais velhos\u201d, conta a diretora.<\/p>\n<p><strong>\u201cE no nosso tempo como \u00e9 que era?\u201d<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 pergunta \u201cEnt\u00e3o como \u00e9 que os alunos v\u00e3o comunicar com os pais?\u201d, imediatamente M\u00f3nica Almeida, de 46 anos, responde com uma pergunta ret\u00f3rica: \u201cComo \u00e9 que era no nosso tempo?\u201d<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o, em jeito de resposta, foi r\u00e1pida de encontrar &#8211; j\u00e1 existia desde esses tempos: os pais podem telefonar para a escola para dar algum recado aos filhos e estes podem, sem custos, telefonar aos pais.<\/p>\n<p>\u201cEntranhou-se de tal forma que os pais, hoje em dia, at\u00e9 nos agradecem esta medida.\u201d<\/p>\n<p>M\u00f3nica relata casos de alunos que j\u00e1 nem sequer levam o telem\u00f3vel para a escola. Filhos da tecnologia e nascidos com a internet, s\u00e3o j\u00e1 v\u00e1rios os alunos do 5.\u00ba ano, nascidos em 2008, que deixam os aparelhos em casa.<\/p>\n<p><strong>\u201cTratamos as novas tecnologias por tu\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A diretora do agrupamento faz quest\u00e3o de sublinhar que est\u00e1 \u00e0 frente de uma escola \u201cmuito tecnol\u00f3gica\u201d apesar desta proibi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cTodas as salas est\u00e3o equipadas com computadores e somos uma escola envolvida em v\u00e1rios projectos eTwinning\u201d (uma plataforma online criada pela Uni\u00e3o Europeia que permite a v\u00e1rias escolas na Europa desenvolverem projetos de aprendizagem comuns).<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a inibi\u00e7\u00e3o do uso de telem\u00f3veis n\u00e3o \u00e9 ininterrupta. \u201cSempre que um professor precisa do telem\u00f3vel dos alunos para fins pedag\u00f3gicos, ele envia um recado aos encarregados de educa\u00e7\u00e3o a pedir autoriza\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 permitido\u201d, explica M\u00f3nica Almeida.<\/p>\n<p>Outros diretores admitem em conversas com a colega de Santa Maria da Feira que sentem haver \u201cmuita dificuldade\u201d para implementarem esta medida nas suas escolas. A eles, M\u00f3nica deixa um conselho para o arranque: \u201cTemos de ser muito assertivos desde o in\u00edcio, n\u00e3o podemos vacilar.\u201d<\/p>\n<p>Para ela, a medida valeu a pena. Acima de tudo porque, explica, os alunos \u201creinventaram a forma de estarem juntos, reinventaram as brincadeiras\u201d.<\/p>\n<p>https:\/\/rr.sapo.pt\/noticia\/137575\/proibidos-de-usar-telemoveis-na-escola-alunos-reinventaram-a-forma-de-estarem-juntos<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Proibidos de usar telem\u00f3veis na escola, alunos &#8220;reinventaram a forma de estarem juntos&#8221; Primeiro estranhou-se, depois entranhou-se. 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